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Por ocasião do Dia Nacional do Patrimônio, 17 de agosto, aconteceu, no Museu Joaquim José Felizardo, uma homenagem ao Mercado Público Central de Porto Alegre. Com a mesa redonda composta por profissionais que acompanharam as lutas e os projetos pela preservação e restauração do Mercado, em suas várias facetas, a historiadora Elizabete Breitman, a arquiteta Dóris Oliveira (do Monumenta/POA) e o jornalista Rafael Guimaraens, e com a presença da representante regional do Ministério da Cultura, Margarete Moraes e do coordenador da Memória Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, arquitetoLuiz Antônio Custódio, o evento emocionou os participantes.

No auditório – uma bela sala no segundo andar do Museu – estavam presentes funcionários do museu, estudantes e professores universitários, profissionais ligados a arquivos e museus da cidade e público em geral, cujo ponto de união entre todos é o amor e o interesse por este bem cultural de nossa cidade. O primeiro mercado foi inaugurado em 1844, na atual Praça XV de novembro. O atual Mercado, no local onde o conhecemos, foi inaugurado em 1869, em área aterrada do Guaíba, com projeto do engenheiro Firedrich Heydtmann, quando então foram construídas duas docas que ladearem o mercado (Doca do Carvão e Doca das Frutas). Seu tombamento como bem patrimonial foi feito em 21 de dezembro de 1979. A historiadora afirmou que a construção do Mercado, naquela época, foi um ato de coragem, pois além de ser construído em cima de um charco, ele foi o precursor da modernidade da cidade. Trouxe aos presentes inúmeras curiosidades, entre elas, contou que as ‘lojas’ dos permissionários eram chamadas de ‘quartos’ por muito tempo; ali, bem no início, existiram alfaiates, lojas de aviamentos, hotéis e outros comércios.

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Lendo os relatórios antigos da Câmara dos Vereadores, observou que uma das ideias era fazer nos altos do Mercado a Sede da Prefeitura, ideia esta que não foi levada adiante. O Mercado sempre foi local de passeio e contemplação, tendo um papel importante na Memória da população negra da cidade, onde até hoje são preservados seus espaços culturais. O segundo piso foi construído em 1912, para acompanhar a escala do Paço Municipal.

Uma das características “históricas” do Mercado é a exposição e demonstração de mercadorias e o atendimento personalizado: é proibido o auto-atendimento, a fim de preservar a relação vendedor-consumidor. A arquiteta, além de mostrar as fotos dos quatro incêndios ali acontecidos, apresentou-nos os critérios de intervenção, na década de 1990, para a recuperação do que é nosso mercado hoje (com a cobertura passando ao segundo andar) – projeto este que foi liderado por Zeca Moraes e uma equipe de historiadores e arquitetos. Em 1992 aconteceu a recuperação do telhado e em 1994 a cobertura nova. O acervo histórico e cultural do Memorial do Mercado Público não foi perdido durante o último incêndio, pois havia sido deslocado para digitalização. O livro “Mercado Público: palácio do povo” foi apresentado pelo jornalista aos presentes. Todos emocionados com o evento, restou ao coordenador da Memória do Município informar como está o processo de reestruturação do Mercado após o incêndio do mês passado, o qual está em um bom andamento, recebendo apoios dos governos municipal, estadual e federal.

Dra. Nádia Maria Weber Santos

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