A rádio da UFRGS é um programa que, dentre vários outros assuntos, também reforça a importância dos prédios históricos da Universidade e do seu projeto de revitalização. O “momento do patrimônio”  faz parte do Programa Continuado de Educação Patrimonial, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão.

Prédio Rádio UFRGS

Em maio de 2013, o programa contou com a ilustre e significativa presença da professora do Unilasalle, Zilá Bernd, a qual também é colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS e incentivadora do Patrimônio Histórico.

Doutora em letras pela USP e com pós doutorado na Universidade de Montreal, Zilá presidia a ABECAN (Associação Brasileira de Estudos Canadenses), tendo criado a revista Interfaces Brasil/Canadá, a qual é editora. Publicou inúmeros livros e centenas de artigos em revistas nacionais e do exterior nas áreas em que atua: literatura brasileira, afro-americana francófona das Américas, questões de identidade nacional, memória social e mobilidades culturais.

Logo no início da entrevista, Zilá agradece pelo convite e pela oportunidade em poder falar um pouco sobre os prédios históricos da UFRGS pois, diante de toda a sua trajetória acadêmica, o campus central foi e é extremamente significativo em sua vida. Carrega dele, memórias individuais e coletivas. Fez curso de graduação em letras e foi uma das primeiras a fazer o curso de mestrado em literatura brasileira. Contratada pelo instituto de letras para lecionar, construiu uma carreira de 30 anos. Com esse grande vínculo afetivo e intelectual, decidiu permanecer ligada à Universidade através de uma bolsa de pesquisa CNPQ, para que pudesse continuar atuando no programa de pós graduação em letras, que hoje conta também com doutorado.

Já como incentivadora do Projeto “Resgate dos Prédios Históricos”, que iniciou em 2001, Zilá conta que se apaixonou pelo projeto desde o primeiro momento, pois via com grande tristeza aquele patrimônio de 12 prédios históricos se deteriorar. Ela diz que, se a etimologia da palavra “patrimônio” tem origem atrelada ao termo grego “pater”, que significa pai e “onium”, que significa herança, então “como podemos deixar desaparecer uma herança que nos foi legada?”.

A professora menciona que esse conjunto de prédios – alguns construídos há mais de cem anos – é um legado material importante e representativo da arquitetura, e também um patrimônio imaterial que representa sua história e seu imaginário.

Sobre sua participação como pessoa física no projeto, fala: “Essa é uma forma de contribuir a tudo que a universidade me proporcionou como aluna e professora”.

A entrevista segue com a pergunta: “Como professora do Mestrado em Memória Social e Bens Culturais da Unilasalle, como a senhora enxerga a preservação do patrimônio cultural no Brasil?”.  Zilá conta que preocupam-se muito com os estudos da memória e a questão da preservação do patrimônio. Diz que a memória é algo fundamental para a preservação do patrimônio e que esse patrimônio é um dos elementos principais para a afirmação da nossa identidade.  Fala também que uma das coisas que os professores e a coordenação do curso refletem é sobre a educação patrimonial e que, nesse sentido, o projeto de reconstrução e revitalização dos prédios da UFRGS é um grande exemplo a seguir.

Ainda sobre educação patrimonial, Zilá comenta que, no Brasil, a educação ambiental evoluiu muito nesses últimos 20 anos. Já na área de educação patrimonial, ela acredita que ainda estamos apenas engatinhando. Há a necessidade de estímulos que possibilitem ações mais concretas.

A entrevistadora  comenta sobre o projeto de visita guiada teatralizada entre os prédios da UFRGS, a qual tem grande aceitação nos colégios privados e públicos (dentro do “Portas Abertas UFRGS”).  Zilá complementa que trabalhar com os jovens é fundamental, pois “são eles quem irão nos suceder”. Ela diz que é preciso cuidar e preservar esse patrimônio material através das reformas, restaurações e pinturas pois, dessa forma, estaremos também preservando o patrimônio imaterial que se construiu em torno das figuras históricas e que possibilitaram tornarem-se representantes da cultura.

Zilá finaliza dizendo que quem contribui para a preservação dos prédios, com certeza participa dessa grande obra da memória coletiva e social da cidade de Porto Alegre e do estado do Rio Grande do Sul.

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